Em mim, existe alguém que ninguém conhece. Esse alguém fica preso aqui dentro, querendo sair, mostrar-se para todos. Mas eu não deixo, não quero mostrar-me para esse perverso mundo. Meu eu ficará aqui. De quando em quando eu tomo umas doses à mais de minha amada vodka, então meu eu se atreve e às vezes sai, mas eu sou rápida, eu pego ele de volta e o prendo novamente. Às vezes ele fica triste, então quando estou sozinha eu deixo ele aparecer. Meu eu é tão gente fina, simpático e amoroso. Eu nunca conseguiria ser ele. Ah, que inveja que tenho de como sou por dentro. Sinto falta dele algumas vezes, pois brigamos e ele fica de orgulho, lá preso sem falar comigo. Só tenho ele pra me fazer bem, sou um mal para qualquer um, até para mim mesma. Mas eu já devia estar acostumada com isso.
Ana Lua.