Estava eu, em mais uma madrugada refletindo sobre tudo o que está se passando em minha vida, e, principalmente sobre o que sinto pela Nina. Sabe, eu não tinha a intenção de amá-la. Mas amei mesmo assim. Aconteceu. Ninguém escolhe quando ou quem amar. Ninguém pode escolher se fechar para esse sentimento, ou fugir dele. Não dizem que o amor acontece quando não se espera? Quando estamos distraídos? Então, foi assim que aconteceu comigo. E em meio a esse pensamento, recebo um telefonema dela. E, com certeza, ela estava em mais um dos seus devaneios, porque assim que atendo, já escuto a voz dela falando do outro lado.“Às vezes, eu fico me perguntando: Quem em sã consciência se apaixonaria por mim? Eu sou obsessiva, neurótica, e possessiva. Me irrito fácil com qualquer besteira que me fizerem, mesmo sem se darem conta disso. Sou egoísta, odeio ser ignorada, e quero sempre que as coisas funcionem do meu jeito. Enfim, sou tudo o que ninguém precisa. E essa é a conclusão em que chego: Ninguém. Ninguém em sã consciência se apaixonaria por mim. E se um dia isso viesse a acontecer, essa pessoa, com certeza, não teria coragem de assumir tamanha insanidade. Concorda comigo, Will?” Sim, eu concordo, pensei. Não tenho coragem de assumir.
Contos de Will e Nina
, por
Christiellen Pinto.